segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Ti-ti-tim

sexta-feira, 26 de outubro de 2007, o dia em que vi Björk e Chan Marshall e aprendi que não basta subir no palco, tem que fazer o show.

Eu já estava com uma expectativa enorme quanto ao show da islandesa. Havia assistido os vídeos do Coachella e já sabia que a mulher nao ia se deixar passar batido em meio a tantos nomes. E digo que ela SUPEROU minhas expectativas. O show começou com Earth Intruders e o desfile da Wonder Brass, a banda de metais mais legal do mundo, formada por jovenzinhas islandesas e loirinhas com roupas coloridonas e bandeiras na cabeça. A menininha Björk entrou logo depois, com seu vestido de Ferrero Rocher (ou repolho dourado, ou bufão medieval), já arrasando. Lá pela segunda ou terceira música, começou o espetáculo por si só. Com um único movimento, Björk fez uma "rede" com aqueles sprays de carnaval, descendo do microfone até os dois cantos do palco (vide foto) e ainda tirou onda com a platéia mostrando aos mãozinhas "ahá, não tenho nada nas mãos, olha!". Fofa.
Essa resenha está muito choca, não consigo transmitir em palavras o que foi esse show. A mulher é um fenômeno: é empolgação e extravasamento de um lado e doideira e autismo de outro. Björk vive no seu mundinho e está muito feliz de compartilhá-lo. Via a galera cantando as músicas e começava a rir sozinha, às vezes ia lá em alguém da banda comentar alguma coisa, bebia água da sua canequinha de metal e se sacudia, MUITO.

Pagan Poetry foi liiiiiiinda, momento lágrimas número 1 da noite (do número 2 falarei mais tarde). A versão ao vivo ficou mais encorpada com o coral e o baixo mais evidente. Mas falando em versão ao vivo, foi muito bom porque as músicas quase não mudaram (e isso, no caso da Björk, eu acho que seja bom): earth intruders continuou batidão, army of me ainda foi pesadona.

A reação do público foi bem interessante. O perfil no início era comum, a típica platéia "alternativa" brasileira: todo mundo se apertando, cada um tentando dar um jeitinho para se enfiar e ficar mais na frente do que o outro, ver mais do que o outro, tirar mais fotos legais do que o outro. O bombonzinho lá de cima fez seu trabalho tão bem feito que quando chegou Hyperballad (na minha opinião, o 2o ápice da noite - falarei do maior depois) as pessoas competitivas e blasés se esqueceram de tudo e dançaram, pularam e rodopiaram aos montes. Tanto que eu, que estava morrendo esmagada no início, podia até dar cambalhota no chão de tanto que o pessoal tinha se espalhado (nao, nao dei cambalhota - mas fiquei tentada).

Rave loucona no momento Hyperballad:

Rolaram várias músicas do Volta, inclusive a apoteótica Wanderlust, que ficou bem poderosa e que Björk conseguiu segurar inteirinha no gogó.

Os recursos tecno-midiáticos (whatever) da banda merece destaque. Dois DJs (ou programadores, não sei ao certo) controlavam mesas de touchscreen e faziam os seus remixes, que eram diretamente enviados para os telões e para tvs de plasma nos cantos do palco. Uma dessas mesas era redonda, bem grande, e me lembrou uma atração do Museu da Língua Portuguesa, em que a gente podia mover as raízes de palavras para formar novas palavras (lembra desse?). O cara movia cada elemento (beat, baixo, sampler, fonfom e tuiuiu), aumentando ou diminuindo a intensidade deles.

E então, Björk bate um papinho com a galera, fala que é muito bom estar ali, que a platéia é linda e o que ela tem a dizer é "obrrrigadow" e... pirulita-se. E aí ficamos lá, 3, 4, 5 minutos fazendo de tudo: sapateando, batendo palmas, assoviando e gritando o que foi o MAIOR trocadilho da noite: "volta! volta! volta!" (Palco Volta, disco Volta e o 'volta' por si só, ahn? ahn?).

E ela volta. E com gosto! Voltam também as bjorkettes, empolgadíííssimas, sacudindo as bandeirolas e fazendo um semi círculo em volta do bombonzinho. Sim, Declare Independence, o ápice da noite. "Raise your flaaags - hey all hey all - don't let them do that to you! Raaaaise your flags!!" uuuuuuuuh! Surtei, Björk também. E então... BUM!!! Chuva de papel prateado picado, tanta chuva, mas tanta chuva que eu já nao enxergava a islandezinha lá no palco. E foi assim, plim, que ela se foi. Deixando lembranças prateadas dentro do tênis, grudadas na testa e, ao longo da noite, por todo o pátio da Marina da Glória.

Um comentário:

Alan disse...

coral de 20 mil pra pagan poetry (she loves him... she loves him...) quase me matou também. e hyperballad foi um baile funk.
outro beijo,